sexta-feira, 20 de julho de 2012

Chegada de Rei Artur à Terceira

Por vezes
Sou um tiro no escuro
Um satélite de Neptuno
Um passo do Gigante

Digo imprudente
Faço elegante
O acto de viver.

Chego à Praceta
Os anjos cospem-me na cabeça
Viajo alto, saltitante.

Todos me olham.
gostaria que o cigarro durasse para sempre,
mas está na brevidade galopante a sua sedução.

Calo-me
Em silêncio anuncio a minha chegada
Atiro a beata para o chão.

Monto um cavalo selvagem
Rápido e impressionante
De condução ressonante
Que não consigo domar.

Chamo-lhe Instante
Ele ergue-se quando o mando parar
Meio aflito
Acho-me incrivelmente distante
Finjo que o mandei levantar
Ponho um ar altivo
Admirem-me!

As pessoas acham estranho
Ver-me em cima do cavalo
Cavaleiro Indulgente
Agitador Experiente
Extraterrestre

Dirijo-me ao povo:

Venham ver o novo Rei
Eu me auto proclamei
O meu ceptro entre as pernas
Não existe castelo
que não tenha derrubado
Feitiço que não tenha lançado
Chamem-me Rei Artur.


Cinco minutos de gritos e gargalhadas
Meninas deslumbradas
Bosta de cavalo.
O efeito surgiu-me....
Antes fez surgir
um voo lento
sem causa dominadora, sem tempo;
Neste mundo errado
Apenas desejo o limite que pode ser pensado


Um acaso não proporcionaria tamanha felicidade
e nada disto é complicado
Procurando a finalidade das coisas criadas
Encontro respostas inusitadas
Perco-me com tanta simplicidade
A razão de mim se evade.


E o sono é a fuga perfeita
para o demesurado sentimento
Afago o pesar emergente
Conservo-me neste estado atraente
De apenas me contentar
Não de viver, mas de sonhar.

terça-feira, 15 de maio de 2012

João Viveu?

João Nasceu
João cagou
João mijou
João dormiu

João estudou
João cagou
João mijou
João dormiu

João esperou
João cagou
João mijou
João dormiu

João trabalhou
João cagou
João mijou
João dormiu

João trabalhou
João cagou
João mijou
João dormiu

João morreu
João não cagou
João não mijou
João sempre dormiu

p.s. e um pouco sonhou

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Les enfants terribles Nº1

Já estão defendidos os dois primeiros textos da edição em papel:
Breves contos de coisa nenhuma I
Futebol na Polinésia Francesa

sábado, 21 de abril de 2012

NÃO FIQUE EM CIMA DO MURO


Porque existe futebol na Polinésia Francesa, les enfant terrible será será editado! primeiro numero vai sair no mês de Junho.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Deus? Nunca ouvi falar

Este o Mundo onde se grita bem alto
O nada.
Este o Mundo onde tudo e todos têm a boca no dever
E com ele lavam as suas roupas e as suas crianças.
Mas há quem por ele não tenha nascido
E não ouça o seu canto

Quem por ele não sacrifique o seu sangue
Quem nada deva.


Eis o guerreiro do sentimento pensado!
Entregue a essa ousadia
Escrita não se sabe por quem.
Se lhe dizem que não é
Pelo simples facto de poder não vir a ser
Responde com o silêncio de um desprezo,
Desembrulhado sem dificuldade.
E nunca olhando para trás
Atropela Deus.

O seu discurso

Testemunhei o fracasso de muitos
E muitos vi rebaixarem-se
A quem eles próprios criaram
Também eu suguei muitas vidas
Outras escaparam-se-me
Deslizando entre as minhas limitações
Pequenos pontos dispersos
Na superfície do meu pensamento
São apenas desperdícios já digeridos
Não ameaçam abrandar
A marcha celeste
Pois em mim o passado não tem lugar.

O ritmo dessa realidade
Que não é a minha
Molda a ilusão de quem vê sentindo
Voa baixa a luz dessas criaturas
Não me desvio
Não posso
O meu olhar está preso no Além

O primeiro Deus

Repousa sobre o gasto tapete,
Bebe momentos independentes
Tritura passados...

Aflições que levitam tempestivamente
Nutrem por si mesmas paixões bélicas
Mercenárias compulsivas
Chefiadas pelo velho Senhor
Irradiadas pela coerência.

É no sofrimento do novo mundo
Que Ele descansa,
E tritura;

Corrosiva a alma do santo
Que anda descalço
Sobre o seco solo
Anda aos zigues zagues
Evitando a chuva matinal.

Ventilando as sombras dos abutres
Junto do roxo girassol
Está o pastor
Exibindo mãos de astuto pianista
Lavrando loucas ideias.

Longe está a mulher simulando arquiteturar um fruto
Que espera não ser amargo
Vai roçando o seu querer num qualquer cristal
Abrindo uma porta para novos movimentos
Pesados no pensar.

E sobre o gasto tapete
Pousa o brilho daquele que faz dilatar o minimo
Pondo de lado o que não sente ser
Triturando a coisa nenhuma
Que fez de s
i Homem.
As linhas do criar estão cobertas por suplicas,
Movem-se iludindo o "criador".
Soam a ventos fortes
Que carregam aos ombros
O odor da descoberta.
São mestres na arte de enganar.

A ilusão manifesta-se na sombra
Do animal que passa
Triste espectáculo que proporciona.
Ele é objecto

Inconsciente, julga-se vida
Julga criar
Não sabe ele que as unidades são velhas
E homem nenhum as pode agarrar.

Toda a criação é
O mesmo que outrora foi,
Apenas exibe nova face.
E esse fascínio que sentes
Dá volta e meia
E limpa o bom nome

Nas paredes sujas do tempo.
É a ele que te abraças,
Com a vontade de ser
O que muitos outros já defecaram -

Sim, tu que ainda abraças o triste fascínio
Do salto horizontal.


 

Deus da noite

Deus é dia e noite
É o Deus das raizes profundas que roubam ao céu
Águas opostas embalam o seu corpo.
Tais reflexos de um mundo mal ensaiado
Gotejam em cadência sobre os meus pés
Mas nunca as lágrimas tristes me saceiam.


Tanto surrealismo é deselegante demais.
Desajeitado e precipitado na conclusão.
Ardem milhões de ideias mutáveis
O perdão não o consinto em sacríficio de mim
E como um barco sem cais
O sacríficio ao vento é vontade.

Pela vontade de Deus,

Todas as mudanças se somam
à necessidade de mudar
Unidades extinguem-se em magia,
Pelo vício da magia
ou pela força da união.


Fecho-lhe a porta
Ao Deus que é o oposto de mim
Um  pensamento assim é solitário
Sozinho digo:
Deus é contrário à razão.




 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Inverno

O efeito surgiu-me....
Antes fez surgir
um voo lento
sem causa dominadora, sem tempo;
Neste mundo errado
Apenas desejo o limite que pode ser pensado

Um acaso não proporcionaria tamanha felicidade
e nada disto é complicado
Procurando a finalidade das coisas criadas
Encontro respostas inusitadas
Perco-me com tanta simplicidade
A razão de mim se evade.

E o sono é a fuga perfeita
para o demesurado sentimento
Afago o pesar emergente
Conservo-me neste estado atraente
De apenas me contentar
Não de viver, mas de sonhar.