domingo, 4 de dezembro de 2011

Isto não leva a lado nenhum

Sou de natureza masturbante. Sintéticamente é isto.
Sou ávido de tudo o que é bom, mas cauteloso.
Cada um procura o seu abismo, e eu não me envergonharia de o olhar nos olhos,
de o fixar com uma fome esganada, não muito diferente da dos bichos.

Bichos é o que mais há. Vejo-os afogarem-se nas pernas de uma mulher, elas que se passeiam sem limites.

Que o seu dominio seja restringido!
Gritam-me lá do fundo:
- Ah! mas pernas como essas não têm competição!

Vou dar mais uma olhadela...
Poderei ainda ouvir-me a mim?

-São pernas sem sentido-digo-vos eu
-seria loucura trepar por elas!


-Sim, talvez. Mas diz-se que no seu centro o abismo toca o céu.
Será?
Então, com a vossa licença.


... ... ... ... ... ... ... ...
Tenho os pés a arder.
Verte-se o sonho, aqueço as mãos.

... ... ... ... ... ... ...

Abram as portas!
Ao desejo que (se) toca.
Que não se condene a vaidade, a imagem como uma torre imensa, que se eleva aos céus e que... não se deixa cobrir!

Agora procura esse desejo entre as mãos.



Sobre abismos Nietzsche diria:

Esofágico o mergulho
Na sua caverna,
Asfixia o seu nome
Gritá-lo-emos de novo

Em Ciclos inconsequentes
Correm as águas,
              levam a lado nenhum


... a lado nenhum.

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