domingo, 4 de dezembro de 2011

Prosa em D Menor - triologia da dependência II

Foste-me atirado para a boca era eu muito novo, assim como a tantos outros...
Não sabia eu, que as tuas unhas imundas se entranhavam em meio Mundo,
do outro meio um qualquer irmão teu, nascido sem mãe, se encarregava.

Quantas as vezes em que das profundezas do abismo chamei por ti senhor,
por ti voltei a chamar sempre que achei necessário.

Vezes e vezes sem conta.

Esse o meu erro, e por ele vives; é dele que te alimentas,
engolindo esperanças de leprosos e viúvas, cegos ignorantes, filhas e netos que nasceram partilhando útero comum.
Esses os futuros cadáveres que te hão-de servir de ponte, os animais dos quais reclamas ser pai.

Sim, gritarás vitória em breve, assim que acordares;
Não tenho dúvidas que será tua, aliás sem grande dificuldade.
Terás um belo banquete, beberás do melhor vinho e com ele empurrarás os tristes pela garganta abaixo.

Em nada me preocupa que os acompanhe, até lá continuarei a cuspir na cama onde te deitas.

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